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O que aprender com a fusão das marcas Fiat Chrysler e Peugeot Citroën

No começo desse mês a Fiat Chrysler e Peugeot Citroën revelaram o novo logotipo do grupo formado pela fusão das duas empresas, que terá como nome Stellantis. Nesse contexto, claro, vale super a pena observarmos a estratégia adotada por eles para apresentar esse novo grupo para o mundo, afinal de contas, sempre podemos aprender com esses grandes cases.

O primeiro ponto importante sobre a novidade diz respeito ao nome que foi anunciado em julho e que nada tem a ver com o nome de nenhuma das duas empresas já existentes: Stellantis foi criado a partir da palavra “stello” que, em latim, significa “iluminar com estrelas”. No entanto, sendo a Fiat Chrysler e a Peugeot Citroën nomes já conhecidos no mercado, você pode estar se perguntando se não valeria mais a pena trazer pelo menos algum deles na assinatura da nova marca, certo?

Não necessariamente!

O grupo já anunciou que cada uma das montadoras terá participação igual, de 50% dos papéis na fusão. Então melhor que criar um Frankenstein para o nome, uma estrutura nominal grande e difícil de decorar em termos de ordem e a grafia, o mais acertado seria realmente adotar uma estrutura independente, que abraça todo o portfólio do grupo (inclusive Fiat e Peugeot).

O aspecto de reconhecimento e familiaridade para o público ficou a cargo das cores adotadas para o logo: branco e azul; e também pelo estilo tipográfico adotado, somado ao uso da caixa-alta. Sem dúvidas Stellantis, em si, é um nome bastante longo, mas aqui cumpre o papel conceitual de trazer um tom otimista e sonhador para a nova fase.O grupo estreia, então, já com grandes marcas independentes em seu portfólio, entre elas Fiat, Jeep, Peugeot e Citroën. Dessa forma, consegue abraçar um público amplo e atacar diferentes nichos, sem comprometer a imagem que seus consumidores fiéis já guardam em suas mentes sobre cada uma delas.Para lançamentos futuros, então, o céu é o limite, já que qualquer nova marca lançada vai carregar o endosso do grupo e já surgirá carregando grande credibilidade. Então o que aprendemos com tudo isso:

  • Toda decisão de marca é estratégica. Nesse caso, temos uma aula sobre como lançar uma grande mudança de forma segura, contendo possíveis riscos de que a novidade afetasse a imagem de marcas já consolidadas no mercado.
  • Outro ponto importante é que o nome do grupo marca um novo começo, mas que de maneira nenhuma compromete o legado de cada um dos envolvidos.
  • Sobre tempo, é legal observar que o nome foi divulgado em Julho e só agora nós vimos o logotipo. A fusão em si só se concretizará em 2021. Às vezes ficamos ansiosos para divulgar novidades, mas gerar suspense e conduzir seu público por um storytelling em tempo real é a melhor opção para eles engajarem e se sentirem parte desse processo, uma grande mudança abrupta pode gerar estranhamento.
  • O desenho da nova logo em si: aqui nós vemos que nem sempre acompanhar as tendências do design é a solução escolhida como ideal para um problema de marca. Sem dúvidas o logo foi uma escolha segura e pouco ousada do grupo, que se encontra confortavelmente num lugar mais familiar e confiável, que lembra um pouco o desenho de cada uma das marcas isoladas.

Os grupos ainda disseram que o nome homenageia a “rica história de suas empresas fundadoras, enquanto a evocação da astronomia captura o verdadeiro espírito de otimismo, energia e renovação que impulsionam essa fusão que está mudando o setor”. Por aqui, a gente fica de olho para acompanhar a direção que a comunicação do grupo vai tomar.