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Sobre premiações

2019 é um ano que está sendo fechado com chave de ouro. Foi um ano desafiador, no qual a gente decidiu sair com os dois pés da nossa zona de conforto e isso incluiu desde o lançamento da nossa consultoria de Branding, que construíamos desde o ano passado, até experimentar o ar um pouco menos úmido de São Paulo como uma das nossas casas. Fomos assim, de Janeiro à Dezembro, fazendo escolhas que nos davam frio na barriga, mas uma delas foi, muito provavelmente, a mais gratificante de todas e é dela que queremos falar nesse texto.

Em 2019, decidimos nos inscrever em duas premiações nacionais pela primeira vez: o Brasil Design Awards e a Bienal de Design. Perguntar o que nos motivou a fazer isso é engraçado: não sabemos responder de maneira objetiva, então vamos tentar descobrir juntos: 

O reconhecimento de um bom trabalho nos orgulha, sem dúvidas. Mas não era isso que a gente procurava. Para quem não conhece como esses prêmios funcionam, cada projeto inscrito tem uma taxa. É um investimento. Porque fazer esse investimento?

Pode passar pela cabeça de algumas pessoas que, com esses reconhecimentos, o valor dos nossos projetos vai subir. Não vai. Também não foi esse o motivo. Ser destaque nacional nos dá, sim, um certo respaldo e saber que tivemos três projetos aprovados por júris extremamente competentes nos enche de alegria, especialmente quando esses jurados são grandes inspirações nossas, enquanto profissionais. 

Ainda não era isso que a gente procurava, no entanto, mas acho que estamos chegando mais perto do que nos fez realizar as inscrições. Tem a ver com isso: inspiração. 

As notícias e os convites para cada uma das cerimônias vieram em sequência. Primeiro o BDA: foram dois projetos de ambientação entre os destaques. Depois a Bienal.

A Bienal é a maior e mais importante premiação de design do Brasil e nós tivemos dois projetos aprovados para o catálogo, um deles entre os 50 destaques. Sabem quem era o cliente desse projeto que ficou entre os 50 melhores do país? Nós mesmas.

Existe um projeto nosso, autoral, entre os 50 melhores do país. Que honra!

Imagem divulgação ADG

Existe um projeto nosso, autoral, que foi exposto no Museu Oscar Niemeyer até o dia 15 de Dezembro e, não bastasse isso, fomos convidadas a falar sobre esse tal projeto no dia da abertura da exposição, dada a relevância do assunto que abordamos.

Essa é a melhor parte: o projeto foi premiado não apenas pela sua qualidade estética, mas por conta do seu conteúdo. A categoria na qual ganhamos foi “pensando o design” e fomos premiadas pela urgência das discussões que levantamos no projeto Designer Gráfica, que soma um levantamento histórico da participação feminina no design gráfico nacional a uma curadoria do que é produzido no país hoje. Acho que o ponto central para responder a minha pergunta anterior está bem aqui.

Porque decidimos investir em participar de premiações? Relevância.

Não conseguimos disfarçar, nosso trabalho com o design é político e isso é um desafio diário. Em tudo o que criamos, colocamos um pedaço de quem somos e daquilo em que acreditamos. Não ficamos caladas quando algo fere a nossos princípios e até negamos trabalhos por conta disso, sem nenhum peso na consciência. Faz parte do nosso DNA e participar de premiações nos mostra que isso é relevante, que vale a pena.

Ganhar um prêmio nacional dá visibilidade às questões que levantamos em nossos projetos,  nos coloca na posição de referências e, sim, isso importa, mas não pelo título em si.

Somos nós: mulheres, jovens, empreendedoras, feministas. Referências nacionais. Ainda Temos poucas referências femininas no design hoje, se comparado com as figuras masculinas. O Designer Gráfica fala justamente sobre isso e levantar essa questão naquele palco, no MON, foi simbólico para nós. Aquele momento de troca traduz por que vale a pena participar de premiações: para que nossa voz seja ouvida. A qualidade do nosso trabalho a gente já garante no dia a dia; precisamos tornar aquilo em que acreditamos referência para os nossos colegas e para as novas gerações e isso a gente só consegue metendo a cara, aparecendo nos catálogos e subindo em palcos.

É relevante se inscrever em premiações nacionais e internacionais para mostrar que é possível e para ajudar quem nunca pensou nessa possibilidade a ver que sim, a gente pode. Enquanto mulheres, jovens, nordestinas, a gente pode tudo. Entre Bienal e BDA, aliás, tivemos colegas da terrinha que também brilharam. Parabéns Mila e Aline, do Miranda e e Raimundo do Duna!! É ainda mais legal dividir esse momento com tanta gente boa (no que faz e no que é).